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domingo, 19 de março de 2006

Não Existe Pecado ao Sul do Equador

(Chico Buarque)
Não existe pecado do lado de baixo do equador
Vamos fazer um pecado rasgado, suado, a todo vapor
Me deixa ser teu escracho, capacho, teu cacho
Um riacho de amor
Quando é lição de esculacho, olha aí, sai de baixo
Que eu sou professor
Deixa a tristeza pra lá, vem comer, me jantar
Sarapatel, caruru, tucupi, tacacá
Vê se me usa, me abusa, lambuza
Que a tua cafuza
Não pode esperar
Deixa a tristeza pra lá, vem comer, me jantar
Sarapatel, caruru, tucupi, tacacá
Vê se esgota, me bota na mesa
Que a tua holandesa
Não pode esperar
Não existe pecado do lado de baixo do equador
Vamos fazer um pecado, rasgado, suado a todo vapor
Me deixa ser teu escracho, teu cacho
Um riacho de amor
Quando é missão de esculacho, olha aí, sai de baixo
Que eu sou embaixador

quarta-feira, 15 de março de 2006

É sempre esse mesmo desejo
residente entre as minhas pernas.
Me deixa ardendo, em brasa
e desaparece
como quem não tem culpa nenhuma.
Vem e me come
deixe saciar minha carne impura na fonte do seu prazer.

quarta-feira, 8 de março de 2006

Não é uma data com grande apelo comercial, nem com grande força social, mas tá aí e merece ser lembrada.
Quem me conheçe sabe da minha paixão pela condição feminina.
Muito além do feminismo e bem mais que direitos de um segmento da sociedade.
Mas a valorização do humano e o respeito a aquelas que por séculos foram renegadas, tratadas como objetos e condenadas cruelmente às fogueiras e forcas como culpadas pelas mazelas do mundo.
Hoje nós, mulheres, já não precisamos lutar contra a força bruta de uma sociedade patriarcal, mas ainda lutamos, dia após dia, conta inquisições e preconceitos bem mais sutis, disfarçados ora de empregos "masculinos", ora como violência domestica ou até sob a máscara da fragilidade.
Nem sempre temos a força bruta, mas dispomos de uma gama de outras armas pra sobreviver nesse mundo-cão (diga-se de passagem, quase sempre, muito mais eficientes).
E apesar de toda modernosidade desses dias de hoje ainda pagamos bastante caro pela nossa liberdade plena e por manter nossas vidas em nossas próprias mãos, por sermos mais que mães e esposas, por sermos antes de tudo, nós mesmas. Muito homem por aí admira uma mulher capaz de se desdobrar em muitas, mas quantos deles arrumam a cozinha e põem as crianças pra dormir?
Por sermos livres o bastante pra exercermos todas as nossas vontades e conquistarmos todos os nossos desejos, somos condenadas.
E muitas ainda nem sequer percebem os resquícios dessas amarras machistas, e enquanto pensam ser mulheres "modernas" são apenas uma reprodução tediosa, uma versão recente do que foram nossas avós e as avós das nossas avós.
Pra todas as mulheres que não têm medo de buscar a felicidade, tenha ela a forma que for,
FELIZ DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES!


Pagu
(Rita Lee E Zélia Duncan)

Mexo, remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira
Sabe o que é ser carvão
Eu sou pau pra toda obra
Deus dá asas à minha cobra
Minha força não é bruta
Não sou freira nem sou puta

Porque nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem

Sou rainha do meu tanque
Sou Pagu indignada no palanque
Fama de porra-louca, tudo bem
Minha mãe é Maria-Ninguém
Não sou atriz-modelo-dançarina
Meu buraco é mais em cima

Porque nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem

sexta-feira, 3 de março de 2006

Pelo carnaval que passou, pelas noites irreais que me destes, pelo carinho.
E por me acordar na quarta feira de cinzas.


NOITE DOS MASCARADOS
(Chico Buarque)

Quem é você, adivinha se gosta de mim
Hoje os dois mascarados procuram os seus namorados perguntando assim
Quem é você, diga logo que eu quero saber o seu jogo
Que eu quero morrer no seu bloco, que eu quero me arder no seu fogo
Eu sou seresteiro, poeta e cantor
O meu tempo inteiro só zombo do amor
Eu tenho um pandeiro, só quero um violão
Eu nado em dinheiro, não tenho um tostão
Fui porta-estandarte, não sei mais dançar
Eu, modéstia à parte, nasci prá sambar
Eu sou tão menina, meu tempo passou
Eu sou colombina, eu sou pierrô
Mas é carnaval, não me diga mais quem é você
Amanhã tudo volta ao normal, deixa a festa acabar, deixa o barco correr
Deixa o dia raiar que hoje eu sou da maneira que você me quer
O que você pedir eu lhe dou, seja você quem for
Seja o que Deus quiser

Nem pelo papo
Nem pela bebida
Nem pelas histórias

Mas pelo jeito bronco
E o belo par de olhos verdes