Não é uma data com grande apelo comercial, nem com grande força social, mas tá aí e merece ser lembrada.
Quem me conheçe sabe da minha paixão pela condição feminina.
Muito além do feminismo e bem mais que direitos de um segmento da sociedade.
Mas a valorização do humano e o respeito a aquelas que por séculos foram renegadas, tratadas como objetos e condenadas cruelmente às fogueiras e forcas como culpadas pelas mazelas do mundo.
Hoje nós, mulheres, já não precisamos lutar contra a força bruta de uma sociedade patriarcal, mas ainda lutamos, dia após dia, conta inquisições e preconceitos bem mais sutis, disfarçados ora de empregos "masculinos", ora como violência domestica ou até sob a máscara da fragilidade.
Nem sempre temos a força bruta, mas dispomos de uma gama de outras armas pra sobreviver nesse mundo-cão (diga-se de passagem, quase sempre, muito mais eficientes).
E apesar de toda modernosidade desses dias de hoje ainda pagamos bastante caro pela nossa liberdade plena e por manter nossas vidas em nossas próprias mãos, por sermos mais que mães e esposas, por sermos antes de tudo, nós mesmas. Muito homem por aí admira uma mulher capaz de se desdobrar em muitas, mas quantos deles arrumam a cozinha e põem as crianças pra dormir?
Por sermos livres o bastante pra exercermos todas as nossas vontades e conquistarmos todos os nossos desejos, somos condenadas.
E muitas ainda nem sequer percebem os resquícios dessas amarras machistas, e enquanto pensam ser mulheres "modernas" são apenas uma reprodução tediosa, uma versão recente do que foram nossas avós e as avós das nossas avós.
Pra todas as mulheres que não têm medo de buscar a felicidade, tenha ela a forma que for,
FELIZ DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES!
Pagu
(Rita Lee E Zélia Duncan)
Mexo, remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira
Sabe o que é ser carvão
Eu sou pau pra toda obra
Deus dá asas à minha cobra
Minha força não é bruta
Não sou freira nem sou puta
Porque nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem
Sou rainha do meu tanque
Sou Pagu indignada no palanque
Fama de porra-louca, tudo bem
Minha mãe é Maria-Ninguém
Não sou atriz-modelo-dançarina
Meu buraco é mais em cima
Porque nem toda feiticeira é corcunda
Nem toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem
quarta-feira, 8 de março de 2006
Postado por Srta Luxúria às 14:44
Marcadores: Divagações, Poesias
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário