Sempre foi minha intenção colocar por aqui textos dos quais eu tenha gostado.
Como eu ando numa incapacidade absurda de escrever algo que preste, fica aí um aperitivo.
Enjoy.
Um.
De Nelson Botter.
Me imprimo em você. Não como uma tatuagem, nada disso, não sou desenho, sou desejo, pois quero mergulhar em tua pele, invadir seus poros na calada da noite, ser um gatuno cupido, e navegar por sua corrente sangüínea, repousando em seu coração. De lá não quero mais sair. Nunca mais. Sempre mais.
E quero sentir a rígida maciez da superfície rosada da sua língua, carne deliciosa e inquieta, molhando cada centímetro do meu corpo, examinando minhas curvas, buscando entradas, como uma serpente à procura do ninho, vagando sem destino nem pressa. Nesses momentos eu sou você. E sou sempre mais você.
A cada abraço a sensação de que os corpos se imprimem, se colam, fotocópias anatômicas de anatomia. Quero o sabor do seu sexo, bem quentinho, pulsando, jorrando, e também quero o cheiro do seu suor salgado, a vida que se esvai a cada segundo, mas que nos preenche e nos faz ganhar do tempo. Quero você e me quero em você.
Se a vida é momento, se viver é sofrer, se não há explicação para o que já se tentou explicar, pouco importa agora, quero luxúria, meu pecado favorito, quero você. Seu seio é vida, seu gozo é minha razão de viver, mas a distância é sofrer. Vem, chega mais, fique perto, me cante o rumo, o nosso rumo. Quero me colar em você, a tal da impressão que eu não soube explicar, que talvez seja apenas uma forma de me agarrar na sua alma, um simples medo de cair no meio da jornada e me perder... E se for pra me perder, que seja em você.
[Nelson Botter é cronista do http://blonicas.zip.net ]
sexta-feira, 22 de setembro de 2006
Postado por Srta Luxúria às 20:18
Marcadores: Divagações
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