E eis que me pego pensando em você.
Assim, no meio do dia, entre tanto a fazer.
Vem você me invadindo as idéias.
E eu, mais que depressa já me ponho a imaginar seus gostos e sensações.
Sua boca me roubando o fôlego, suas mãos, que fantasio delicadas e ágeis, me desabotoando a blusa, enquanto me percorrem o corpo, me incendiando.
Seus dedos emaranhando meus cabelos, os segurando na nuca enquanto devora meu pescoço, enquanto busca meus seios, enquanto encontra meu sexo molhado, ansioso.
Me penetra até a alma, me sufoca de delícia e prazer e meu gozo metafísico se materializa num delicado sorriso e olhar perdido de quem se delicia em imaginação.
Na minha fantasia tens uma delicadeza quase feminina, e uma força que sabe se acercar do outro por todas as direções, teu cheiro é doce e teus beijos profundos e eu, completamente encantada, me deixo levar por sua fome de consumir minha carne.
Tens o tamanho exato dos meus desejos, das minhas carências e eu me entrego a você sem qualquer receio. És mais que a figura que conheço tão pouco e desejo tanto sem nem saber porque desejo.
Mas é minha a fantasia, e nela eu posso, inclusive, te desejar sem limites ou pudores enquanto espero oportunidade de fazê-la real.
Quem disse que eu não tenho mais idade pros desejos que nascem platônicos?
terça-feira, 20 de março de 2007
Postado por Srta Luxúria às 19:28 5 comentários
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terça-feira, 13 de março de 2007
Ah esses novos desejos!
Despertando minha carne,
À tanto adormecida...
Postado por Srta Luxúria às 18:28 2 comentários
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quarta-feira, 7 de março de 2007
"Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé
do borralho,
olhando para o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço...
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo...
Vive dentro de mim
a lavadeira
do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso
d'água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde
de São-caetano.
Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.
Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada,
sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.
Vive dentro de mim
a mulher roceira.
-Enxerto de terra,
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos,
Seus vinte netos.
Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha...
tão desprezada,
tão murmurada...
Fingindo ser alegre
seu triste fado.
Todas as vidas
dentro de mim:
Na minha vida -
a vida mera
das obscuras!"
[Todas as Vidas, Cora Coralina]
Postado por Srta Luxúria às 20:20 0 comentários
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